Desde à meia-noite de segunda-feira os ônibus de Lagoa Santa, Belo Horizonte e de outros municípios da Região Metropolitana pararam de rodar. A greve dos motoristas e cobradores, que durou até a manhã de quarta, visava o aumento salarial de 37% para a categoria, criação do piso salarial mínimo, redução da jornada de trabalho para seis horas, cobrador em todos os ônibus e fim da terceirização dos serviços da empresa.
A paralisação do transporte coletivo urbano foi total no primeiro dia útil da semana e pegou vários usuários de surpresa. Ônibus foram depredados por funcionários das empresas e também por usuários em todas as regiões afetadas pela greve. Na terça-feira, após as 14hr, alguns ônibus rodaram, para atender a uma determinação do Ministério Público, que exigiu ao menos 50% da frota nas ruas.
Em Lagoa Santa a greve teve fim na quarta-feira. De acordo com o auxiliar de tráfego Getúlio Carlos, os ônibus da empresa Atual tiveram o horário normalizado durante o dia. A Transrosa, responsável pelos ônibus intramunicipais, também normalizou seu funcionamento na quarta-feira. Ela disponibiliza 9 linhas de ônibus Lagoa Viva que fazem trajeto de bairro a bairro.

Hoje a frota da Cia. Atual conta com 39 ônibus, que atendem a cinco linhas, dentre elas as intermunicipais. Para Getúlio, a circulação dos ônibus foi regularizada por causa dos usuários, que precisam do transporte. “A gente tem a obrigação de atender a população, por que deixando de atendê-la nós não vamos ter o nosso salário aumentado”, explicou.
Quem se deu bem com a greve dos motoristas e cobradores foram os “transportes alternativos”. Perueiros rodaram pelos pontos da cidade como uma opção aos passageiros que precisavam de uma condução. Já alguns motos-táxi até aumentaram a taxa mínima de transporte, que geralmente é de R$2,50, por causa da crescente procura. “A greve ajudou bastante, apesar dos perueiros pegarem as pessoas no ponto, melhorou bem o movimento”, afirma Fernando Rogério de Souza, motoboy.
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte e Região Metropolitana se reuniram no Tribunal Regional do Trabalho durante a semana para tentar resolver a questão, sem muito sucesso. As empresas, representadas pelos sindicatos Setra-BH e Sintram ofereceram 4,36% de aumento em resposta aos 37% exigidos pela classe. Embora ainda não haja um consenso, os sindicatos afirmam que as negociações continuaram, mesmo após o fim da greve.
Alguns usuários do transporte coletivo apóiam a greve, por ser um direito do trabalhador, mas ressaltam o prejuízo causado pela paralisação. È o caso da técnica de enfermagem Márcia Dias: “Eles têm o direito de reivindicar. Porém, com isso, muita gente sai prejudicada”.
Já outros usuários ficaram de pés e mãos atadas diante da greve, perdendo dias de trabalho e até estudo. “Eu dependo do ônibus para estudar. Tive que faltar de aula na segunda e quando começou a regularizar voltei mais cedo, por que não dava pra confiar no horário que o ônibus passaria”, conta a estagiária Natália Cristina de Oliveira.