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Roberty Lauar
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Caros Leitores,
Estou deveras preocupado. Acho que estou velho demais. Na verdade eu sou do século passado, não é mesmo? Sou quase do tempo das diligências. Putz!!
Quem diria: do tempo das diligências! Quer ver só! No meu “tempo” se respeitava os mais velhos. No meu “tempo” escrúpulo não era palavrão. No meu “tempo” ética não era confundida com “É titica”. No meu “tempo” mamãe e papai não era posição sexual. No meu “tempo” brio era ter vergonha na cara e corar. No meu “tempo” corajoso não era o mesmo que valentão. No meu “tempo” respeito era bom e eu gostava. Aliás, todos gostavam. Discutir e debater não eram sinônimos de brigas e inimizades. O empenho da palavra era suficiente para selar o acordo.
Hoje a falta de respeito impera; chega a assustar. Hoje também a falsidade, a prepotência e a arrogância imperam e são repugnantes; mas toleradas. Hoje a grosseria é desalentadora, tem atingido até certas mulheres, tidas como cabeças pensantes e respeitadas. É o stress - dizem.
Mas hoje, caros leitores, quero falar principalmente sobre o que considero a maior praga da atualidade: a Dissimulação. É preciso ser um peixe ensaboado para conviver bem com certas pessoas aqui em Lagoa Santa. É preciso pisar em ovos para se dar bem e ser aceito. Interesses pessoais se sobrepõe a interesses comuns e isso tudo em nome de um pretenso despojamento. Me encontro, caros leitores, decepcionado, sem ação, desiludido. Tenho vivido aqui em Lagoa Santa experiências, do ponto de vista sociológico, desanimadoras e estranhas.
A cidade, por suas características balneárias e aprazíveis, favoreceu o aporte de egos que precisam constantemente de massagem “Do-In”. Ponto de desembarque de legítimos bem sucedidos da iniciativa privada em busca de descanso, também recebeu aspirantes a lobos do mar vindos de todos os lados: serviço público, empresas de economia mista e “Assessorias” de sei lá o que. Parte dessa gente chegou oferecendo a experiência que aponta atalhos que pretensamente trariam soluções para a falta de infra-estrutura de uma cidade pequena como a nossa. São aqueles que “conhecem todos” que podem ajudar e dizem: Eu sou amigo do fulano, trabalhei com aquela autoridade; é quase meu irmãzinho, etc e tal. Oferecendo facilidades. Para mim; isso sempre cheirou a oportunismo. São amigos de infância de Governadores, do Papa, de Chefes de setor ou aprendeu muito no “alto” cargo que exerceu.
O perfil de cidade praiana e pacata traz em seu arcabouço o espectro de paraíso “desamparado” para essas quase autoridades. Abro aqui parêntesis para fazer justiça – Nem todos os “quase” ex ou ex e ou correlatos que aportaram por aqui, tem tendências arrogantes ou pedantes ou prepotentes ou superlativas ou até mesmo interesseiras; falo tão somente daqueles que não abrem mão de serem reverenciados e super valorizados; pelo que acham que foram; um dia. Na verdade , muitos desses se imiscuíram em política partidária, alguns cumpriram mandatos por aqui, outros graças a Deus não chegaram lá, mas tentaram. Você pode perceber: - A grande maioria desses sérios e impolutos senhores e senhoras está enfurnada como dirigentes de Associações de toda sorte ou ficam a oferecer seus serviços de Assessoria Técnica em áreas tão distintas que chega a ser até engraçado. É gente que está em todas, é possível que vocês já tenham visto alguns desses por aí em ação, não é mesmo?
Agora, algo que me chama a atenção é que boa parte desses “abnegados”, quando tiveram; e isso eu presenciei algumas vezes; a oportunidade de demonstrar grandeza de espírito, altruísmo, civismo verdadeiro, despojamento sincero: - Quando inquiridos ou questionados e até mesmo desmascarados; agiram e agem com ódio e vingança. Alguns até surpreendem-me pela cara de pau: - Antes dissimulados, na hora “H”entregaram a rapadura. Gente de fala mansa, cabelos grisalhos, rugas de experiência, voz empostada; mas lobos em pele de cordeiro. Muitos desses peixes ensaboados, caros leitores, estão por aí, travestidos de verdadeiros cidadãos de bem; que dizem só querer ajudar. Cuidado! Quando encontrar alguns desses pela frente, arme uma rede bastante resistente, imobilize-os e joguem-nos dentro da Lagoa Central que é lugar de peixe: - Ensaboado ou não! Quem sabe eles não perecerão assoreados, cheios de algas enroladas no pescoço e sem oxigênio para respirar.