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Roberty Lauar
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Caros leitores,
Hoje o olhar aguçado, crítico, perspicaz, vivo e intenso é o meu fiel escudeiro! Revigoro-me semanalmente ao expressar neste espaço, parte do que inquieta e aflige minh’alma cidadã.
Há pouco mais de dois anos, através destas modestas crônicas, recebo como presente, além dessa compassiva concessão, a claridade intensa do plenilúnio, que é a fase da lua cheia mais visível e clara, que esparge luz intensa em meu ser. Obrigado amigos leitores! Revigora-me receber o carinho de vocês, que me surpreende e emociona sempre, principalmente quando ouço palavras que me instigam e me estimulam a continuar percorrendo os doces caminhos delineados por estas crônicas; relatos do imaginário, ou reais, que fluem através da tinta da minha inseparável Bic imaginária, impregnam as alvas folhas de papel com o fulgor de uma estrela guia, e como que, num afago arrebatador; transformam o tosco texto em reminiscências e esperanças de toda uma vida!
Fecho os olhos e me vejo, ontem, um garoto vivaz, sonhador, deveras pueril. Algum tempo depois, uma vida de eloqüência, expressividade e aprendizado. Ontem, como hoje, portador de franqueza sem dissimulação. Repleto de obstinação, cheio de esperança. Muitas vezes incompreendido pela fala sincera e contundente; mas sincera e despojada! A independência é minha bússola, meu norte; o oxigênio que alimenta meu ser. Marcas indeléveis, perenes, que o tempo não destruiu, emolduram meu caráter. Muitas vezes causo estranheza, espanto até!
A vida é assim mesmo... Mas o que não me faltou jamais foram deferência e gratidão! Ao escrever, caros amigos, me entrego à catarse, à purificação, que se fazem presentes em cada palavra, quando encontram abrigo em almas e corações desesperançosos. A verdade é latente, se faz presente e as experiências por mim vividas me exortam e me cobram a coragem e a determinação de quem não hesita em contribuir em prol do bem comum.
Nunca hesitei, nunca fugi do bom combate. Certamente sobram-me erros, desacertos, tolices, mas nunca fui presunçoso. Talvez o ato de escrever ajude-me a pavimentar as veredas que ainda irei percorrer; caminho da minha redenção; pois condutor do meu destino errante e errático. Quem sabe a poesia que me faltou possa um dia fazer parte de mim! Anseio encontrá-la e entendê-la, quiçá viver nela, ser íntimo dela. Queria eu ser poeta para ter a poesia em mim, queria dormir com ela, acordar com ela. Queria eu poder tocá-la, me encantar, me enlevar. Queria eu ter a expressão destinada a evocar os deuses, ter sensações e emoções idílicas; não tenho esse dom! Não domino essa arte. Talvez por isso ainda sofra e tenha o coração macerado. A dicotomia, oposição entre duas coisas, nos acompanha desde toda a eternidade. O bem e o mal, o feio e o belo, estão em nós! A dualidade como a luz e a treva, a claridade e a sombra, o ganhar e o perder, sempre foram matéria prima dos poetas; isso não sei distinguir, já o poeta sabe. Em mim ela, a dualidade, adormece; em sono profundo! Os verdadeiros poetas conseguem caminhar e transitar entre nuances; conhecem as diferenças que residem até no Limbo; morada transitória das almas!
Na verdade a poesia não está naquilo que olhamos e sim nos olhos de quem vê: Os poetas de nascença! Falta-me berço poético, faltam-me palavras belas para exprimir o que sinto. Mas sei agradecer, conheço as belezas da gratidão, o verdadeiro atalho para a paz interior. Por isso, hoje dedico esta crônica a vocês leitores, meus grandes amigos e incentivadores, pois partilham comigo estes sentimentos que transformo em crônicas. Mesmo quando não concordam comigo, mesmo quando me censuram, mesmo quando não me entendem, continuam ai, complacentes e tolerantes. Sinto os eflúvios doces e revigorantes que me enviam, numa poderosa transmissão de pensamentos confortantes, o que ajuda a mitigar e abrandar minhas dores e pequenez. Recebo de vocês muito mais do que possa oferecer, recebo aquilo que só os verdadeiros amigos podem dar como presente: a compreensão! Agradeço toda a estima e afeição que dispensam a mim; este tem sido meu incentivo; minha hóstia; alimento de minh’alma. Ter amigos nos torna mais felizes e mais amenos. Preciso desesperadamente que continuem meus amigos. Preciso desesperadamente daquilo que só os verdadeiros amigos são capazes de oferecer: a compreensão, a tolerância e a benevolência que reconfortam a alma de um simples e errante escriba como eu.